Flávio Bolsonaro questiona vitória de Lula nas eleições de 2026, critica STF e explica saída do Brasil

Em vídeos publicados nas redes sociais, candidato derrotado contesta crescimento da votação do presidente reeleito, faz acusações contra Alexandre de Moraes e nega ter planejado viagem ao exterior.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, voltou a questionar o resultado das eleições de 2026 e fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. Em vídeos divulgados nas redes sociais, o parlamentar demonstrou insatisfação com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levantou questionamentos sobre o crescimento da votação do petista entre os dois turnos e explicou sua decisão de deixar o Brasil.

Em uma das gravações, publicada nesta quinta-feira (5), Flávio Bolsonaro questionou o aumento de aproximadamente 10,4 milhões de votos recebidos por Lula entre os dois turnos. O senador afirmou não encontrar uma explicação matemática para a diferença e mencionou especialistas em estatística, probabilidade e matemática ao contestar os números.

Para sustentar seus questionamentos, Flávio citou os resultados em Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, estados onde, segundo ele, o crescimento eleitoral de Lula seria incompatível com o perfil político dos eleitores e com os apoios recebidos por sua candidatura. O parlamentar destacou a participação de governadores, prefeitos, senadores e lideranças políticas que apoiaram sua campanha.

Em Goiás, o senador afirmou que Lula ampliou sua votação em mais de 43%, apesar do apoio que recebeu de Ronaldo Caiado. Também mencionou São Paulo, onde disse que o petista registrou crescimento superior a 35%, mesmo diante das mobilizações realizadas por seus apoiadores durante o segundo turno.

Flávio Bolsonaro apresentou questionamentos semelhantes sobre o Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, e Santa Catarina. No caso catarinense, destacou que o governador e os senadores eleitos eram aliados de seu partido, mas que Lula teria apresentado crescimento proporcional superior ao seu.“Você não tem explicação lógica para isso. Matematicamente, isso não fecha”, declarou o senador.

Apesar das críticas, os vídeos não apresentam provas de fraude ou irregularidades na apuração eleitoral. O crescimento da votação entre os turnos também deve ser analisado considerando a redistribuição dos votos dados a outros candidatos no primeiro turno e as mudanças no comparecimento dos eleitores.

De acordo com os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito em 25 de outubro, com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%.

Em outra gravação, Flávio Bolsonaro direcionou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes. O senador acusou o magistrado de adotar decisões que, segundo sua avaliação, teriam o objetivo de prejudicá-lo politicamente e favorecer Lula durante a campanha presidencial.

O parlamentar também questionou a condução de investigações contra ele, argumentando que determinados procedimentos deveriam estar sob responsabilidade do ministro André Mendonça. Flávio afirmou que as decisões de Moraes seriam uma tentativa de desgastar sua imagem e declarou considerar que não teria um julgamento imparcial.

A defesa do senador já apresentou pedidos ao STF para afastar Moraes da relatoria de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e solicitar a transferência do caso para André Mendonça. Os advogados também contestam medidas cautelares determinadas contra Flávio Bolsonaro.

Durante suas declarações, o senador afirmou que não pretende se submeter ao que considera decisões arbitrárias e criticou a possibilidade de novas medidas judiciais contra ele. Também questionou a atuação do próprio Supremo na análise de eventuais investigações envolvendo seus integrantes.

Ao comentar a possibilidade de abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes, Flávio demonstrou descrença na atuação da Corte. “Você quer apostar uma Coca-Cola comigo que não vão autorizar o início da investigação contra ele?”, questionou.

Em seguida, o senador afirmou que o sistema judicial brasileiro estaria protegendo seus próprios integrantes e defendeu a saída de Moraes do Supremo. “A Justiça no Brasil, infelizmente, perdeu completamente a credibilidade. E a tendência é piorar daqui pra frente, com a manutenção do atual presidente da República”, declarou Flávio Bolsonaro.

Em uma terceira gravação, o senador explicou as circunstâncias de sua saída do Brasil após a derrota eleitoral. Segundo seu relato, na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno, ele visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para conversar sobre o resultado das eleições. Ao deixar a residência, afirmou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal para receber uma intimação.

Flávio declarou que decidiu deixar o país somente após esse episódio e negou que a viagem tivesse sido planejada antecipadamente. O senador também afirmou que Jair Bolsonaro desconhecia sua intenção de sair do Brasil e rejeitou especulações sobre a participação de terceiros na decisão.

Durante o relato, o parlamentar descreveu a reação emocional do pai ao presenciar a abordagem policial e afirmou que a decisão foi tomada com o apoio da esposa e da família.

A versão apresentada pelo senador contrasta com informações divulgadas pela Polícia Federal, que afirmou ter identificado risco de saída do parlamentar do país e solicitado medidas cautelares à Justiça.

As acusações de favorecimento político, fabricação de investigações e irregularidades eleitorais são alegações feitas por Flávio Bolsonaro e não foram comprovadas nos materiais apresentados. As declarações ocorrem após sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais, em meio a procedimentos judiciais que envolvem o parlamentar.

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