Documento divulgado pelo senador agradece apoio de Javier Milei e Donald Trump, critica decisões do STF e contesta, sem apresentar provas, o resultado das eleições presidenciais.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28), por meio de uma publicação no X, uma carta em que se autoproclama “líder do Brasil” e agradece aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, pelo apoio recebido para deixar o país. O documento foi publicado após sua chegada aos Estados Unidos, três dias depois do segundo turno das eleições presidenciais.
Na primeira versão da carta, Flávio chegou a se declarar “verdadeiro presidente eleito”, mas o documento foi apagado e, cerca de meia hora depois, uma nova versão substituiu a expressão por “líder do Brasil”. No texto, o senador voltou a alegar, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral.
As afirmações contrariam a apuração e o reconhecimento do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As eleições brasileiras também tiveram o reconhecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA), de líderes internacionais e dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. O próprio Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
A primeira versão da carta também trazia um brasão da República com a palavra “Brazil”, escrita com “z”, em vez de Brasil, com “s”. No lugar de “República Federativa do Brasil”, o símbolo apresentava a denominação “Estados Unidos do Brazil”, nome que deixou de ser utilizado em março de 1967.
Luiz Inácio Lula da Silva venceu o segundo turno das eleições presidenciais com cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu pouco mais de 59 milhões.
Na carta, o senador também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o horário de votação até as 19h. A medida atendeu a pedidos apresentados pelas campanhas do PL e do PT. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil com base em dados oficiais, as duas horas adicionais resultaram no registro de 34.393 votos.
Flávio também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático. A ordem foi expedida a pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga em meio às investigações contra o senador.
Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Em um deles, é suspeito de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro apura o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
No comunicado, Flávio afirmou ainda que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.