O fantástico caso da vice que descobriu o Brasil, ou melhor, uma escola abandonada

Há fenômenos na política baiana que desafiam a própria lógica do espaço-tempo. O mais recente deles atende pelo nome de Lorena Mercês, a atual vice-prefeita de Valença. Em um misto de “surpresa” cinematográfica e amnésia seletiva, a pedagoga, ex-vereadora e ex-secretária de Educação gravou um vídeo indignada, cobrando do prefeito Marcos Medrado a reforma de uma escola municipal que está em ruínas.

O vídeo é dramático: imagens da escola totalmente acabada, tomada pelo abandono. Uma cobrança justa, sem dúvidas. A comunidade merece o equipamento público funcionando. O que Lorena parece ter esquecido de colocar na legenda da sua publicação é um pequeno detalhe cronológico: a escola está fechada desde a época em que ela mesma era vereadora.

É de uma sensibilidade política ímpar. Lorena passou pela Secretaria de Educação, sentou-se na cadeira do Legislativo e agora ocupa o segundo cargo mais importante do Executivo, mas precisou de um estalo divino em 2026 para perceber que o colégio estava caindo aos pedaços. Como gestora e fiscal da época, onde estava o olhar atento da pedagoga?

O prefeito cometeu o erro crasso de colocar no ninho uma figura cuja bússola política parece girar de acordo com o vento do oportunismo.

A cronologia é rápida e dá tontura:

  • Passo 1: Envia um ofício ao secretário de Educação (para protocolar as aparências).
  • Passo 2: Menos de um mês depois, sem esperar respostas ou soluções internas, desfere a ferroada pública em tom de oposição rasteira.

A cobrança pela reforma? Válida e necessária. A atitude? De uma pequenez política gritante. Se a gestão tem falhas, e tem, o papel de uma vice-prefeita leal seria articular internamente para resolvê-las. Mas a lealdade, pelo visto, é um conceito que Lorena Mercês optou por deixar de fora do seu extenso currículo acadêmico.

O Futuro de Lore

Diz o velho ditado dos bastidores do poder que a política até ama a traição, mas abomina e não respeita o traidor. Ao antecipar o processo de ruptura dessa forma teatral, Lorena não se firma como uma liderança instável; firma-se como alguém em quem não se pode confiar o flanco esquerdo.

Agora, resta saber como a vice-prefeita pretende sustentar esse voo solo. O plano parece desenhado: trazer seus deputados de estimação, colar no seu candidato a governador e lançar uma pomposa candidatura a prefeita de Valença.

A pergunta de um milhão de reais (que nem a pedagogia responde) é: quem vai apoiar? Ou pior: qual grupo político sério vai querer o apoio de alguém que se desgasta, briga e fica no muro dando crises e oscilando terminar o mandato?

Lorena Mercês quis lacrar na internet mostrando as ruínas de uma escola, mas acabou entregando a demolição da sua própria credibilidade. Quem planta rasteira, colhe isolamento. Boa sorte aos “novos aliados” que decidirem caminhar com ela, aconselha-se, desde já, olhar bastante para trás.

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