Falha na Meta permite clonagem e verificação de perfis oficiais e coloca usuários em risco

Confiança em risco: falha na verificação da Meta dá credibilidade a contas falsas com selo azul e amplia os golpes digitais.

A Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram, enfrenta mais uma polêmica envolvendo a segurança de seus usuários. Relatos recentes mostram que perfis oficiais verificados estão sendo clonados e recebendo o selo azul, criando um cenário de confusão e abrindo caminho para golpes digitais. A situação, que vem sendo notada sobretudo no Brasil, levanta dúvidas sobre a eficácia do sistema de verificação pago e tradicional, já que o distintivo azul deveria servir justamente para garantir autenticidade e confiança.

O problema se manifesta de diferentes formas. Há casos de golpistas que criam contas com nomes quase idênticos aos originais, utilizando truques como a substituição de letras por caracteres semelhantes. Essas contas conseguem obter o selo de verificação ao assinar o programa Meta Verified, dando a falsa impressão de legitimidade. Também existem situações em que perfis verificados legítimos são hackeados e passam a se passar por outra pessoa ou marca, aparentando ser um “clone oficial”. Para completar, circulam denúncias de criminosos que fraudam documentos para conseguir o selo em contas falsas, um reflexo do quanto o mercado de golpes digitais busca se profissionalizar.

Embora a Meta não tenha reconhecido oficialmente a existência de um bug específico que replique automaticamente a verificação de uma conta autêntica em um clone, os números mostram a gravidade da questão. Segundo a própria empresa, mais de 23 milhões de perfis que imitavam grandes criadores foram removidos apenas em 2024, evidenciando o tamanho do esforço necessário para conter esse tipo de fraude. No Brasil, a situação chegou a mobilizar autoridades: em abril de 2025, a Advocacia-Geral da União acionou a Justiça para responsabilizar a companhia por anúncios fraudulentos que utilizavam símbolos oficiais, reforçando a percepção de que as falhas de verificação e moderação têm consequências sérias.

O selo azul, portanto, não é mais visto como garantia absoluta de segurança. Especialistas alertam que, diante dessa nova realidade, os usuários precisam redobrar a atenção. É fundamental verificar o nome de usuário exato, observar links oficiais, desconfiar de mensagens que pedem informações urgentes e sempre denunciar perfis suspeitos diretamente na plataforma. Para quem já foi vítima de clonagem ou invasão, a recomendação é buscar imediatamente os canais oficiais de recuperação de conta da Meta.

Enquanto a empresa tenta aprimorar suas ferramentas, a sensação entre usuários e especialistas é de que há um descompasso entre o discurso e a prática. Se por um lado a Meta anuncia investimentos em segurança e remoções em massa de contas falsas, por outro, casos de perfis “clonados verificados” continuam surgindo e confundindo milhões de pessoas. Resta saber se a companhia vai adotar medidas mais rígidas, como bloqueios automáticos de nomes semelhantes para contas verificadas ou selos diferenciados para instituições e autoridades. Até lá, a melhor defesa continua sendo a vigilância constante e o olhar crítico dos usuários diante de qualquer perfil que pareça “oficial demais para ser verdade”.

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