Centro cirúrgico de hospital em Ilhéus é interditado após morte de empresária

Sesab identificou que setor funcionava sem autorização sanitária; Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Adriele da Silva Pinto.

O centro cirúrgico do Hospital Vida, em Ilhéus, foi interditado cautelarmente pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) nesta quinta-feira (27). A medida ocorreu após a pasta identificar que o espaço não possuía autorização sanitária para funcionar.

A fiscalização foi intensificada depois da morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, que havia sido submetida a procedimentos estéticos na unidade. Segundo a Sesab, o hospital havia iniciado um processo de licenciamento sanitário, mas o centro cirúrgico não constava entre os setores informados.

A secretaria informou ainda que, durante a última inspeção realizada no local, em novembro de 2025, o centro cirúrgico não estava em atividade. Por isso, não foram registradas irregularidades relacionadas ao funcionamento do setor naquele momento.

Com a repercussão do caso, o Núcleo Regional de Saúde Sul tomou conhecimento de que o espaço estava sendo utilizado. A partir disso, foi determinada a interdição cautelar, enquanto o caso passa por análise administrativa e podem ser adotadas outras medidas.

A Sesab ainda apura há quanto tempo o centro cirúrgico funcionava sem licença e quais tipos de procedimentos foram realizados no período.

Adriele morava nos Estados Unidos e veio ao Brasil para realizar quatro procedimentos estéticos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma.

Segundo o advogado da família, a empresária entrou para a cirurgia às 15h e havia previsão de encerramento por volta das 20h. Com a demora e a falta de informações, os familiares começaram a buscar notícias sobre o estado de saúde dela e, posteriormente, foram informados sobre a morte.

A família afirma ter recebido a informação de que Adriele passou mal durante a cirurgia. Diante das circunstâncias, foi registrado um boletim de ocorrência.

O corpo foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica de Ilhéus, que deverá emitir o laudo de necropsia em até 30 dias. A investigação está sob responsabilidade da 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus.

Adriele foi sepultada nesta quinta-feira (27), em Ituberá, onde vivem familiares da empresária. Durante a despedida, parentes e amigos realizaram uma manifestação pedindo esclarecimentos e justiça.

O grupo participou de uma caminhada com cartazes e faixas e também realizou um protesto no centro da cidade após o sepultamento.

Segundo familiares, os procedimentos foram realizados pelo cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback.

O nome do médico já havia aparecido em denúncias feitas por pacientes em 2023. Na época, mulheres de cidades como Itabuna, Salvador, Eunápolis e Vitória da Conquista relataram complicações e insatisfação com cirurgias realizadas pelo profissional.

Entre os relatos, uma paciente afirmou ter desenvolvido uma infecção grave após colocar próteses de silicone e fazer uma lipoaspiração. Ela também declarou que precisou passar por um procedimento reparador.

Uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com o médico também apresentou denúncias naquele período.

O Hospital Vida ainda não havia se manifestado sobre a interdição até a divulgação das informações.

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