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Pombos em praças de Valença podem causar surtos de novas doenças

Segundo taxistas alguns homens tem dado alimento diários aos animais, o que acelera a proliferação

“Fauna sinantrópica nociva.” O termo parece complicado, mas, o conceito, nem tanto: são animais que interagem de forma negativa com a população humana, causando-lhe transtornos significativos de ordem econômica ou ambiental, ou que representem riscos à saúde pública. Isso, de acordo com a Instrução Normativa nº 141/2006 do Ibama.

Mais de 150 pombos foram contados no quarteirão pela nossa reportagem.
Foto: Nágila Kelly

Os pombos, apesar de parecerem animais simpáticos e inofensivos, estão neste grupo e já são considerados pragas urbanas, pois transmitem uma série de doenças e têm se multiplicado de forma descontrolada.  

A Columba livia, conhecida popularmente como pombo-doméstico ou pombo-comum, é uma espécie de ave da família Columbidae, que tem infestado as cidades. E em Valença, no Baixo Sul, não é diferente. Estes animais se adaptaram muito bem aos centros urbanos, em parte, por culpa da própria população que os alimenta diariamente e ajuda na reprodução.

A Praça Admar Braga Guimarães, bem no centro de Valença, é um local de concentração destes animais. Principalmente em torno do Prédio do Memorial e Câmara de Valença, além do espaço da antiga Recreativa. A estátua de Deméter, deusa da Agricultura, já perdeu a guerra para os pombos. Os taxistas dizem que sempre ficam atentos ao passar pelo lugar, para evitar “incidentes” com as fezes das aves. “Tenho receio de que eles me sujem quando passo pela praça”, brincam.

Um taxista da praça, há 28 anos, conta que os pombos incomodam por serem muito numerosos e eles sempre sujam os veículos que ficam estacionados. Mas, segundo ele, nem sempre foi assim. A situação se agravou depois que um colega de profissão passou a alimentar as aves. “Desde então, o número de pombos só cresce. Eles atrapalham os passageiros e sujam nossos táxis”, destacou.

 Meio Ambiente se manifesta

“É importante que a população se conscientize de que alimentar os pombos causa sérios problemas para a sociedade e para os próprios animais. Podemos dizer, inclusive, que alimentar é o mesmo que maltratá-los. O simples ato de dar comida faz com que eles percam a capacidade natural de buscar alimento. Isso também acelera a reprodução das aves, causando desequilíbrio ambiental, além de provocar sobrepeso. Mais gordos, os pombos têm dificuldade de voar e até podem fraturar ossos”, advertem funcionários da secretaria de Meio Ambiente da cidade.

Segundo informações, a infestação de pombos já atinge todo o centro da cidade. Uma solução para infestação está em dificultar o pouso do animal. Para isso, a dica seria esticar fios de nylon ou arame farpado em beirais, muros e outros pontos de pouso. Instalar telas para evitar a entrada da ave.

Doenças graves

Tais aves, assim como os morcegos, hospedam em seus intestinos fungos como o Histoplasma capsulatum e o Cryptococus neoformans. O primeiro causa a histoplasmose, uma doença que, inclusive, pode ser assintomática. O segundo provoca a criptococose, conhecida como “doença do pombo”, que é a principal causa de meningoencefalite e morte em indivíduos com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). No entanto, também acomete indivíduos sem problemas de saúde.  

Segundo alerta do Ministério da Saúde, a lista de enfermidades provocadas pelos pombos é grande. A salmonelose é doença infecciosa provocada por bactérias e a contaminação ocorre pela ingestão de alimentos infectados com fezes animais. A ornitose também é uma doença infecciosa provocada por bactérias. A contaminação acontece pelo contato com aves portadoras da bactéria ou com seus dejetos. Tem ainda a meningite, que é a inflamação das membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal.

Para quem teve contato com fezes de pombos ou de morcegos e tem sofrido com gripes sucessivas com secreção pulmonar, a veterinária aconselha procurar um médico, de preferência um infectologista.

Pombos-correio

A prática já não é mais comum. Mas, no passado, os pombos reinavam absolutos levando mensagens estratégicas de guerra ou simples recados de amor. Atualmente, a criação de pombos-correio está restrita a competidores.

E o negócio pode ser lucrativo. Em março deste ano, um pombo-correio treinado na Bélgica foi vendido em um leilão por 1,25 milhão de euros, o que corresponde a R$ 5,3 milhões. Armando, conhecido como “o Lewis Hamilton dos pombos” – uma referência ao piloto britânico de Fórmula 1 – se tornou a ave mais cara da história, conforme anunciou na ocasião casa de leilões Pigeon Paradise (Pipa).

Wellingthon Anunpciação

Jornalista Especialista em Comunicação Política

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