Opinando

XERECARD: Avanço ou retrocesso em questões sociais?

Um motoboy foi flagrado em Valença, no Baixo Sul da Bahia, portando em sua caixa de delivery um adesivo com o símbolo “Xerecard” – palavra de conotação sexual que insinua o pagamento do serviço em troca de relações sexuais. A expressão é de uma letra de funk que viralizou nas redes sociais. Apesar de ter ganhado mais destaque este ano, ao pesquisar no Google, desde 2016, o termo tem a definição de “Mulher que obtém tudo que quer por meio de relação sexual”.

Há quem diga que esta prática é uma forma mais ampla de pagamento sem necessariamente uma moeda, e sim uma permuta. Por outro lado, é importante abrir os olhos para que as mulheres não sejam vítimas de violência sexual por conta da ação, especialmente quando uma pessoa oferece de cara um “Aceito Xerecard”, caracterizado como assédio sexual.

Ouvi relatos de homens e mulheres afirmando que a letra traz um retrocesso para a classe feminina, que luta por diversos direitos. Em análise, a canção insinua que mulheres ‘bebem à vontade se os homens pagarem, além de ser em troca de sexo’.

Fica evidente que, na sociedade contemporânea brasileira, o número de mulheres que não possuem liberdade financeira ainda é alto, pois a classe feminina continua a receber salários inferiores aos homens, apesar de exercerem a mesma função.

Este seria um dos fatores que as submetem a este tipo de situação, fazendo com que o ego masculino seja inflado por acharem que tem poder sob as mulheres. No entanto, fica a critério de outrem ser adepto a prática do “Xerecard”, desde que os direitos sejam preservados e a conduta não os afete negativamente.

Raylane Santos

Raylane Santos é jornalista de Livre Notícias e Analista de Figuras Públicas.

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