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Clipe de cantora gospel Cassiane é criticado por ‘naturalizar’ violência contra a mulher

Nesta sexta-feira (17/07), a cantora gospel Cassiane, natural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, lançou o clipe oficial de sua música” A Voz”. O vídeo, no entanto, está sofrendo diversas críticas na internet, pois, segundo as reclamações,” romantiza” a violência contra a mulher, naturalizando a situação de modo como se o perdão de Deus e uma” nova vida” fossem o suficiente, não sendo necessária uma denúncia formal à polícia.

Enquanto Cassiane canta a letra da música, que, de maneira geral, fala sobre perdão e restauração de vida, o clipe mostra a história de um casal heterossexual no qual a esposa sofre agressões do marido, um suposto alcoólatra. Ele, inclusive, numa cena, deixa de pagar uma conta de luz para utilizar o dinheiro para comprar mais bebida e, em outro momento, furta dinheiro da carteira da mulher para a mesma situação, com ela sendo supostamente agredida ao tentar impedi-lo.

Depois dessa e de outras demonstrações de agressividade, a mulher, religiosa, opta por sair de casa e deixa um bilhete dentro de uma Bíblia para o marido, dizendo que o perdoava e pedindo que ele abrisse o coração para Deus. No final, os 2 se reencontram na rua, com o clipe dando a entender que o homem se” regenerou” e que o casal reataria o romance – embora isso não fique totalmente explícito.

Entre os comentários criticando o roteiro, uma pessoa, chamada Edleuza Souza, disse:” sou cristã e fui vítima de violência doméstica por muitos anos. Esse clipe é um desserviço a mulheres que passam por isso nesse momento. Meu ex-agressor era crente. Dentro da igreja era um santo, em casa ele mostrava sua verdadeira face. Fui espancada, violentada e traída. Na época, fazia como o clipe aconselha: orava pela libertação dele, até ir parar no hospital depois de mais uma agressão. Criei coragem e denunciei. Saí de casa com minhas filhas. Não se calem, denunciem.”

” Não podemos esperar que pessoas que ainda não foram alcançadas pela graça de Deus compreendam a profundidade da história. Essas pessoas não acreditam que Deus em sua misericórdia tem poder para mudar a vida e o comportamento de uma pessoa. Para enxergar e compreender isso é preciso se converter. Como esta mulher do clipe, existem milhares de outras que sofrem agressão e a decisão da denúncia é de cada uma delas. Notem que não fica claro no clipe se a mulher denunciou o marido. Quem sabe, quando ela foi embora também não ligou para denunciar? Nossa abordagem no clipe é espiritual e não jurídica. O foco do clipe é que a voz de Deus faz demônios saírem e tem poder para transformar vidas e conceder uma segunda chance até para o mais vil pecador, ou criminoso. Assim como não aparece a mulher denunciando, também não aparece ela voltando para casa. O clipe termina em aberto justamente por ser um assunto tão íntimo, delicado e polêmico”, diz Marina.

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