Opinando

A Arte da Guerra, os profissionais de Saúde e o Coronavirus

Traçar uma estratégia correta e consistente no combate ao Coronavirus, exige primeiro a concentração de todos os nossos profissionais de saúde, que em minha opinião já devem começar a fazer um levante dos pontos fortes – os que devem concentrar esforços para oferecer qualidade amplificada em seus postos. E depois analisar as eventuais fraquezas, aqueles apetrechos psicológicos que podem atrapalhar a realização dos objetivos finais.

Infelizmente a maioria dos profissionais não sabem traçar o dado dos ambientes que se conectam, muitos deles não sabem ainda se proteger do virus que paira pelo ar, o que fazem eles serem mais um na multidão dos amedrontados. Amedrontados que em maioria não confiam no sistema de saúde e depois nos profissionais que lá estão, isso devido a desconexão que ocorre, e com isso não quero dizer que são incompetentes, ou que não fazem direito, quero elucidar que é preciso demonstração de força, aquele velho “venha quente, tô pronto e fervendo”.

A grande oportunidade do governo reconhecer que falhou na organização do sistema nacional de saúde, além de ficarem cientes que nada está bem o quanto parece é agora, mas para que tudo isso seja validado, nós precisamos de profissionais de saúde preparados, prontos para entrar na guerra, saírem vencedores e dizerem quem manda, o que querem e como querem, pois a classe que salvar mais vidas, embora a perspectiva seja vista como negativa, será aquela que terá voz para cobrar o que tanto necessitamos.

Cerca de quinhentos anos antes da época de Cristo, viveu na China Sun Tzu, um estrategista militar que se tornou lendário. Alguns estudiosos afirmam que o personagem que passou para a História é o resultado da fusão da biografia de mais de um general de sucesso daqueles tempos. A ele é atribuída A Arte da Guerra, uma compilação literária, com algum cunho filosófico, dos ensinamentos de combate desse mítico mestre.

Uma das lições de Sun Tzu diz textualmente: “Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças”. Meu leitor já reconheceu que quero colocar a todos nós nos pontos exatos, cada um com suas responsabilidades e a dica do ganho do tesouro nas mãos dos “mocinhos”.

É que, passados mais de dois mil e quinhentos anos da época das campanhas de Sun Tzu, professores e pesquisadores de modernas universidades ocidentais começaram a publicar estudos relativos a métodos e instrumentos de análise estratégica. Um deles é conhecido como SWOT, o acrônimo para as primeiras letras das palavras inglesas strengths, weaknesses, opportunities e threats, literalmente, forças, fraquezas, oportunidades eameaças, exatamente os quatro vocábulos utilizados no ensinamento milenar do estrategista chinês. Trata-se de valiosa lição tanto para o campo de batalha, como para o ambiente de prevenção e da nossa continuidade neste sistema vivo, mas dependentes dos profissionais de saúde.

De fato, tanto em um caso, como nos outros, todo mundo e organismos sempre terão os seus pontos fortes e é neles que se deve concentrar o principal de seus esforços, para que se possa fazer o melhor trabalho possível. Elencar as forças que se possui e focar as atividades nelas é o caminho indispensável para o bom desempenho e a vitória nesta batalha que parece já ter vencedor. Por outro lado, todos têm fraquezas e é preciso reconhecê-las, ainda que elas venham de um inimigo invisível. Em primeiro lugar, para reduzir seus efeitos negativos sobre aquilo que se faz; em segundo, para não concentrar esforço demasiado nelas, o que levaria a resultados medíocres e à perda de tempo e de recursos; e, finalmente, para que se possa, sem exageros e dentro das possibilidades, corrigir e melhorar aqueles aspectos mais débeis das próprias capacidades nossas, enquanto seres humanos.

Da lição do mestre, percebemos que forças e fraquezas são componentes intrínsecos à nossa luta, ou seja, são elementos internos de nossas organizações psicológicas também, além do próprio repertório profissional individual e, ao trabalharmos neles, estamos de certo modo promovendo nosso progresso interior.  Mas há, é claro, os componentes externos a serem considerados e estes são exatamente as oportunidades e as ameaças.

Oportunidades são chances favoráveis que a todos aparecem. Mesmo o mais pessimista dos profissionais deve estar preparado para agarrá-las, assim que surjam. É feliz o verbo utilizado pelo general asiático, pois oportunidades não costumam ser frequentes nem abundantes e, por isso, devem ser mesmo agarradas assim que se apresentem. Nos jogos, nos esportes, na guerra, nos negócios e na carreira profissional a vitória, muitas vezes, pode depender exclusivamente do oportuno aproveitamento de uma só delas. De modo simetricamente oposto se comportam as ameaças. Elas existem e estão invisíveis no ambiente, mesmo para o mais otimista dos profissionais. Mais uma vez, o termo escolhido pelo general chinês foi exato, pois devemos nos proteger das ameaças, já que ninguém está livre de ser acossado, ainda mais neste momento. Porém, friso a importância de enfrentar as ameaças sem medo, para ao necessitado não ser passada mais uma fraqueza do sistema que deveria salvar a sua vida.

Estratégias consistentes para a atividade profissional em Saúde podem seguir os milenares ensinamentos de Sun Tzu se estiverem baseadas, em linguagem atual, na análise SWOT, e ter a certeza que não será o virus que nos derrotará, mas a forma que encaramos o combate, a precaução e os tratamentos quando infectados por ele.

*Colaboração de Dr. Rubens Junior
Este texto nasceu de uma reflexão com o consultor e palestrante em Gestão Estratégica, Saúde, Educação e Comunicações;

Wellingthon Anunpciação

Jornalista Especialista em Comunicação Política

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