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Maricultura da Bahia demite centenas após vírus atingir viveiros

Chuvas de verão, aliadas a doenças do camarão, reduzem produção e crise se instala na empresa; Explica representante

*Por Magno Jouber e Wellingthon Anunpciação

Os jornalistas Wellington Anunpciação e Magno Jouber estiveram na manhã desta quart (19), na sede da Maricultura de Valença, na BA 887 – Baixo Sul do Estado e, em uma entrevista com o engenheiro responsável pelo setor de produção da empresa, Paulo César, obtiveram informações preocupantes sobre a demissão de 224 empregados, dispensados nesta terça (18) e quarta (19) do setor de carcinicultura, que congrega em Valença e Salinas da Margarida os criatórios de camarões das empresas Sohagro, Valença Maricultura, Maricultura da Bahia e Salinas Maricultura, todas do Grupo MPE.

De acordo com Paulo, as demissões, que também atingiram setores estratégicos da empresa como gerência e encarregados foram motivadas devido à queda de produção ocasionada pelas atividades de um vírus que causa a Mancha Branca (White Spot Syndrome Vírus), de etiologia viral, que, aliado as ultimas frentes frias, reduziu de forma significativa a produção das espécies dos viveiros.

Camarões com a “Mancha Branca”. Foto: Draª Aline Maiara

Contribuindo para esse desastre, outro vírus, o NIN, doença de crustáceos que reapareceu em Valença, também agravou a queda de produção. “A nossa produção, que era de 5 mil toneladas, caiu em 2013/2014 para apenas 800 toneladas de camarão”, reconhece Paulo César. Ele também informou que nos últimos dois anos o setor de produção vinha se recuperando e as previsões eram animadoras para 2020, mas com o verão atípico, com muitas frentes frias, a produção despencou. Dentro do planejamento para fevereiro, março e abril, caso as chuvas persistam, novas demissões poderão ocorrer.

Sobre uma possível desativação da empresa, ele descartou essa possibilidade.

As Mariculturas de Valença ocupam uma área de mil hectares, distribuídos em viveiros de 20 a 40 hectares, estão em atividades na Bahia a cerca de 40 anos e em Valença há 30 anos, atualmente empregavam cerca de 600 trabalhadores, desses, 224 foram demitidos. A maior produção de camarões e também o maior número de empregados das empresas estão concentrados em Valença (550); em Salinas, apenas 50 trabalhadores continuam em atividade.

 

Wellingthon Anunpciação

Jornalista Especialista em Comunicação Política

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