Biólogos dizem que mariscos e frutos do mar estão contaminados e podem trazer problemas graves a vida humana

Mariscos infectados causariam problemas respiratórios aos humanos que ingerirem-nos

As manchas de óleo que atingem o Nordeste já chegaram ao mercado de pescado. Os poluentes dificultam a ação dos pescadores e pesquisas já orientam que se evite comer produtos das regiões afetadas.

O Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou uma pesquisa com 50 animais marinhos e detectou metais pesados em todos eles. No organismo humano, essas substâncias podem causar náuseas, vômito, enjoo, problemas respiratórios e arritmia cardíaca, entre outras consequências nocivas.

Francisco Kelmo, da UFBA, explica que, assim que o óleo chega à costa, o material se deposita em rochas, areias e manguezais, que são onde mariscos, caranguejos, ostras e siris se alimentam. Quando esses animais filtram a água do mar, o petróleo entra no sistema respiratório. Em alguns casos, morrem por asfixia; em outros, o metal pesado se deposita no próprio tecido deles.

“Pela cadeia alimentar, esses metais pesados são transferidos para nós, o que é algo extremamente perigoso”, diz o professor.

 Como metais pesados não são excretados pelo ser humano, esses resíduos ficariam dentro do corpo pelo restante da vida. 

Para ele, o cenário de contaminação dos animais e da costa pode levar pelo menos dez anos para ser revertido, “isso se todas as manchas forem retiradas”, até as que ficam por baixo da superfície.

“Se houver qualquer mancha de óleo no manguezal, independentemente da quantidade, a contaminação vai continuar”, afirma Kelmo. 

Já para Magno Botelho, biólogo e especialista em meio ambiente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, haverá “contaminação a longo prazo”. “Mas saber a quantidade de óleo vazado é fundamental para que possa ser feito um prognóstico mais apurado”, disse.

 

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