Morre Waldir Pires, ex-governador da Bahia


O ex-governador da Bahia e ex-vereador de Salvador, Waldir Pires, 92 anos, morreu na manhã desta sexta-feira (22) na capital baiana.
O político deu entrada na noite desta quinta-feira (21) no Hospital da Bahia com quadro de pneumonia.
De acordo com a unidade de saúde, nesta manhã, por volta das 10h, Pires teve parada cardio respiratória e não resistiu.

Quem foi Waldir Pires
Nascido em Acajutiba, em 1926, Waldir Pires veio para Salvador aos dezesseis anos, após ingressar na Faculdade de Direito. Enquanto estudante, na União dos Estudantes da Bahia liderou o Movimento Antinazista.
Em 2008 foi condecorado com o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira, que é concedido a brasileiros reconhecidamente dedicados às causas nobres, humanas e sociais. Em 2012 foi eleito Vereador de Salvador aos 85 anos pelo PT.
No início da década de 1950, aos 24 anos, foi Secretário de Estado no governo de Régis Pacheco. Em 1954 elegeu-se Deputado Estadual, formando a base de apoio do Governo Antônio Balbino; em 1958 elegeu-se Deputado Federal, sendo escolhido vice-líder do Governo Juscelino Kubitschek. Em 1962 candidatou-se ao Governo da Bahia e perdeu as eleições por uma diferença de apenas 3% dos votos para o candidato da UDN, Lomanto Júnior.
Em 1963, quando exercia a função de Coordenador dos Cursos Jurídicos da Universidade de Brasília (UnB), onde era também professor de Direito Constitucional, foi convidado pelo Presidente João Goulart para ocupar o cargo de Consultor-Geral da República. Foi o último membro do Governo a sair do Palácio do Planalto, na época do golpe militar, onde ficou, a pedido do presidente, para tentar garantir o respeito à Constituição.
Foi cassado e perseguido e viveu em exílio no Uruguai e na França. Volta ao Brasil em 1970, ajudou na fundação do PMDB durante a abertura política. Em 1982 foi derrotado na eleição para o Senado por Luís Viana Filho (PDS), que foi reeleito.
Em 1985 é convidado pelo presidente Tancredo Neves para o Ministério da Previdência Social e mantido pelo presidente José Sarney.
Voltou a se candidatar ao cargo em 1986, nas primeiras eleições diretas para governador após o regime militar. Waldir é eleito com ampla maioria.
Foi candidato à vice-presidência da república em 1989, mas perde. Em 1990, já no PDT,se torna o deputado com a maior votação no Estado, em todas as épocas, até aquela data. Em 1998 elegeu-se deputado federal com a maior votação no Estado. Candidatou-se a uma vaga no senado em 2002, ao lado de seu companheiro de chapa Haroldo Lima, perdendo para ACM.
Em 2002 é convidado pelo presidente Lula para o cargo de ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU).
Durante o período em que esteve no comando da CGU, Waldir Pires implementou diversas e importantes políticas de controle da Administração Pública e de prevenção e combate à corrupção. Nesse contexto, destacam-se o bem-sucedido Programa de Fiscalização a partir de Sorteios Públicos de recursos federais transferidos voluntariamente a estados e municípios, e o Portal da Transparência, ferramenta de transparência governamental reconhecida e premiada no Brasil e no exterior.
Em 31 de março de 2006 assume o Ministério da Defesa, a pedido do presidente Lula.
Durante sua gestão aconteceu a chamada crise no setor aéreo brasileiro, da qual fazem parte dois terríveis capítulos: os acidentes com o voo Gol 1907, em setembro de 2006, e com o voo TAM 3054, em julho de 2007. A crise culminou com a demissão do ministro de seu cargo, no final de julho.
O ex-ministro enfrentava sérios problemas de saúde desde o final de 2017. Já debilitado, não participou da Lavagem do Bonfim deste ano. Só voltou a aparecer publicamente no dia 14 de junho, oportunidade do lançamento de sua biografia, escrita pelo correligionário Emiliano José.
Falece, após parada cardiorrespiratória, aos 91 anos.

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