Grupo Cultural Esfarrapados dando vida a Cultura Popular


*Por Reginaldo Araújo

Uma história de amor, lágrimas e muitas dificuldades encontradas para manter viva a chama da cultura em Valença. Mudam-se as estações, mudam-se as gestões governamentais e permanece a falta de respeito a um grupo que, apenas, quer contribuir para a manutenção da cultura popular. Não percebem os governantes que a arte/cultura não está separada da economia, política e dos padrões sociais que operam na sociedade. Desta forma, ao analisarmos as festas juninas em todo o Nordeste, percebemos que existem municípios que atraem milhares de turistas investindo na cultura popular, nas quadrilhas e folguedos, sem necessitar de grandes atrações artísticas. Um governante competente deve saber explorar as suas riquezas culturais e ajuda-las a manterem-se vivas, promovendo a inclusão. Lamentavelmente, não é nosso caso.
Importante considerar que o grupo Cultural Esfarrapados, através da líder do grupo – Professora Nevinha- tem, ao longo dos anos, promovido a mobilização social e considerando a festa junina como um fenômeno de mobilização social e comunitária, pela capacidade mesma de unir sujeitos diversos, articular forças sociais, econômicas, políticas e culturais. Porquanto, é um dos eventos que mais movimenta a economia do Nordeste, contribuindo para a geração de emprego e renda através das artes populares, incluindo o artesanato, gastronomia e as diversas formas de expressão artística e cultural, como a música, a dança e a moda dos trajes típicos.
A cultura das quadrilhas nas festas juninas tem sua origem nas terras portuguesas nos festejos dedicados aos santos populares. Trazida para o Brasil, estes festejos se contextualizaram, sendo realizados, essencialmente, fora das paisagens urbanas. Os povos campesinos passaram a realizar estes festejos, principalmente as quadrilhas, para comemorar as boas colheitas e pedindo bons frutos para a próxima plantação e, mais além, muito além de devoção e diversão, as festas juninas e suas quadrilhas são oportunidades de valorização das manifestações culturais.
A cidade foi o palco privilegiado em que se gestaram algumas mudanças nas vestimentas, músicas e passos apresentados pelas quadrilhas. Contudo, as quadrilhas juninas, por mais estilizada que estejam, são, fundamentalmente, festas interioranas, ligadas às tradições do campo e, obviamente, fortalecem a cultura de uma região, onde esta cultura proporciona o crescimento social, econômico, político e cultural de um dado lugar.
Dessa forma, destaque-se que o Grupo Cultural Esfarrapados nasceu de um grupo de pessoas que tinham o proposito (e continuam a ter) de valorizar a grandiosidade da cultura das quadrilhas juninas em nosso município e, mais além, pretendiam resgatar jovens que estavam desgarrados da vida social e que precisam estar inseridos em projetos que lhes valorizassem enquanto sujeitos de direitos. São mais de 20 anos de existência do Grupo Cultural Esfarrapados e, hoje, não se limitam, apenas, a preservar a cultura das quadrilhas juninas. Hoje, este Grupo tem atuado em vários segmentos: Esporte, Lazer, Educação e Saúde. São vários os eventos onde este grupo tem atuado em nosso município, proporcionando a qualidade de vida para a nossa gente. Por conseguinte, fica evidente que a cultura é um preventivo contra todos os malefícios e um potencializador dos benefícios da sociedade.

*Reginaldo Araújo é Pedagogo, Especialista em Gestão governamental e Metodologia do ensino Superior.


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