Valença do Sagrado Coração de Jesus


    Segundo um verso do hino tantas vezes cantado e rezado por muitos: “Valença surge em prol do teu reinado, vem defender o amor que nos redime. Cale-se a voz do ímpio desvairado, só fale o amor, esperança e fé sublime”. Existe no céu um coração que bate forte pela humanidade, que pulsa de insondável amor pelos pecadores e atraí para si, todos os cansados, atribulados e fatigados das mais diversas agruras.

    O “ide e pregai o ápape a todos os povos” Schin Oriente (Galiléia); chegou a Roma e, consequentemente espalhou-se pelo resto da Europa; atravessou os mares e oceanos; aportou nas Américas e, pela fé e coragem missionárias, chegou a Valença (Terra do Eloã), por vontade do Onipotente, que a abençoou com a sua onipresença personificada no Santíssimo Sacramento do altar, onde o povo reconheceu, desde tempos idos, como o seu excelso padroeiro, atitude esta que vem confirmar o desejo de Nosso Senhor Jesus Cristo em estabelecer as bases do seu ministério, também, a partir daqui conforme se observa pela própria caminhada histórica da Igreja, entre nós, desde a colonização.

    Bendito seja o Espírito Santo de Deus que inspirou o saudoso Ouvidor Geral da Comarca de Ilhéus, desembargador Baltazar da Silva Lisboa, de venerável memória que há mais de dois séculos, sugeriu a edificação do templo em honra e louvor do Sacratíssimo Coração de Jesus em nossa terra. Imaginemos com os olhos da fé, a alegria dos primeiros cristãos de Valença em acolherem a imagem do Sagrado Coração de Jesus neste solo, celebrarem seus atos religiosos e deixarem diante de tantas gerações o registro das expressões de fé dos nossos antepassados com a piedade, fervor, tradição e devoção, acentuada nos detalhes dos altares e adornos do sagrado templo do coração católico de Valença.

   O Sagrado Coração de Jesus quis armar sua tenda de evangelização e, por isto nos convoca para que unidos em volta de sua diviníssima pessoa, questionemos os fatos (os problemas) e, para as conclusões sobre os mesmos busquemos formas de solução. Olhando para Ele, procuremos fazer a revisão de nossa fé; das atitudes que precisam ser tomadas em defesa da vida e do bem comum. A terra que conta com a proteção do Sagrado Coração de Jesus não pode renunciar ao seu amor divino e a sua raiz religiosa. Será que foram em vãos seus títulos de seu glorioso passado de “Hospitaleira” por acolher os feridos da Segunda Guerra Mundial? De “Decidida” por participar ativamente das lutas pela Independência da Bahia? E de “Industrial” ao fato de abrigar a prosperidade do progresso da Fábrica de Tecidos Todos os Santos? Valença, contemplada pelas maravilhas da criação em suas praias, cachoeiras, vegetações e relevos.  Valença, privilegiada pelo abundante camarão e conhecida pela fartura do cravo da Índia, da pimenta do reino e de azeite de dendê. Valença, das três pontes que passam pelo rio unindo a cidade velha – a cidade nova. Valença dos casarões e prédios históricos que ainda sobreviveram a ambição e disputas por pontos comerciais. Valença das festas cívicas, dos desfiles e procissões. Valença do turismo, dos grupos folclóricos e culturais. Valença, de suas praças, ruas e avenidas. Valença, de filhos e filhas ilustres, de operários, trabalhadores, pescadores e marisqueiras, gente que confia, espera e têm esperança de nossa terra ser “a grande, entre as grandes do Brasil”. Valença que ocupa um lugar especial no Coração de Jesus.

    Certa Vez, numa exposição de pinturas artísticas houve uma que atraiu de modo particular a atenção dos visitantes. Representava Jesus batendo à porta de uma casa. Em trajes de peregrino, com um bordão na mão, o divino viajor aguardava pacientemente junto à porta até que lh’a abrissem. Um dos visitantes e admiradores notou um defeito no quadro e advertiu os companheiros: muito artístico e expressivo. Mas reparem na porta. Parece que o artista esqueceu-se de colocar o trinco, i. é, a maçaneta. A porta é completamente lisa, sem nada com que abrir. O artista, que se encontrava ali anonimamente no meio do povo, pediu licença e explicou:- Desculpem, mas aí está a particularidade do quadro. Essa porta só se abre por dentro. Só o dono da casa pode abrir e… para quem bater. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos juntos (Ap 3,20). Abrir a porta para o Sagrado Coração de Jesus é meditar as palavras bíblicas do profeta Isaías que nos diz: “Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas. Estava sendo transpassado por causa de nossos pecados” (Is 53,4-6). Escancarar as portas para o Sagrado Coração de Jesus é repetir confiante a súplica do salmista: “Criai em mim um coração puro e renova dentro de mim um espírito estável” (Sl 51,10). E depois de acolhermos o Sagrado Coração de Jesus principalmente na pessoa do próximo, é fazer ressoar esta bonita profissão de fé: “Hoje entrou a salvação nesta casa” (Lc 19,9) Mas não somente nas casas físicas, nos lares, residências, sobretudo nas casas dos corações!

    Que neste dia 23 de junho (Sexta-feira) na festa por excelência do Sagrado Coração de Jesus, possamos parar um instante e recordarmos Daquele que sempre se lembra de nós, que é manso, bondoso, humilde, generoso, misericordioso e digno de todo louvor! Protege, ó Cristo o povo de Valença, pois sua glória é o teu bom coração!

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